Dia da Trancista, celebração e reconhecimento

A luta é antiga, mas o reconhecimento finalmente chegou. Agora é oficial: a profissão de trancista passa a integrar a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), sob o número 5161-65. Um marco histórico que representa não só uma vitória trabalhista, mas um gesto de reparação e afirmação cultural . .

TRAJETÓRIA

Amanda Coelho

6/6/20252 min read

Foto : CeGe / Shonda D+ Tassia Reis

Durante séculos, as tranças se mantém como linguagem, cuidado e cosmovisão . Nossos cabelos carregaram mapas, de pertencimentos, tecnologias e estratégias de existência e de pertencimentos. Ser trançadeira nunca foi só estética: sempre foi história viva, ofíciooficio e propósito. .

E, seguindo por esses trançcados, foi preciso lutar (mais uma vez) para que o Estado brasileiro reconhecesse essa sabedoria ancestral como trabalho digno, especializado e regulamentado.

Uma conquista coletiva!

Esse avanço só foi possível graças à mobilização de muitas mãos, vozes e saberes. A Rede Afrolatinas foi um dos coletivos que fortaleceu essa pauta, sobretudo através do Festival Latinidades, que desde 2023 vinha chamando atenção para a importância das tranças como patrimônio cultural.

Foram muitos os diálogos construídos com o Ministério do Trabalho, o Iphan e o Ministério da Cultura, que culminaram, em 2024, com premiações, rodas de debate e articulações decisivas para este reconhecimento.

Destaque especial para o trabalho incansável de lideranças como Layla Maryzandra com o movimento tranças no mapa, que estiveram à frente dessa incidência e inspiraram muitas outras trançadeiras a se posicionarem e reivindicarem seus direitos.

Pretenha Rainha / Mc Sofia / Ana Paula Xongani

Trançar é mais que um ofício: é uma tecnologia ancestral

O Brasil finalmente reconhece o que nossas comunidades sempre souberam: trançar é profissão, é arte e é ciência. Uma prática que educa, que movimenta economias periféricas, que promove autoestima, que transmite histórias e que merece respeito.

Essa conquista também nos fortalece para o próximo passo: a luta pelo reconhecimento das tranças como patrimônio cultural e imaterial do povo brasileiro.

Dendê / Janine Mathias

Dia da trancista: celebrar é afirmar nossa história

No dia da Trancista, temos ainda mais motivos para comemorar. Mas a celebração é também um chamado à continuidade. Afinal, a regulamentação é o começo de uma série de políticas públicas que ainda precisam ser implementadas, como acesso à formação, crédito para as trançadeiras e inclusão em redes formais de trabalho e ensino.

Que essa conquista nos inspire a continuar trançando futuros com dignidade, justiça e beleza.

Parabéns a todas as trançadeiras do Brasil!

Seguimos de cabeça erguida, honrando os saberes que vieram antes de nós e abrindo caminhos para as próximas gerações.

Xiu - Tassia Reis - Weligton