Início de um novo ciclo x Dia das Mulheres
No dia 8 de março, Diva Green compartilha uma reflexão pessoal sobre existência, dignidade, saúde, ancestralidade e os caminhos das mulheres — especialmente das mulheres negras — na construção de novos ciclos de vida, consciência e bem-viver.
TRAJETÓRIA
Amanda Coelho - CEO Orí Afrofuturo
3/8/20263 min read


Eu não nasci com o propósito de ser apenas uma guerreira, no sentido de viver permanentemente em luta. A beleza que transbordo também faz parte desse processo. Existe em mim um chamado: contribuir para dignificar a minha história e a de outras pessoas por meio dos portais que acesso através da estética, ativando memórias e honrando trajetórias que vieram antes de mim, ao mesmo tempo em que abro novas possibilidades. Há algo de espiritual nesse processo, assim como no caminho de tantas mulheres que vieram antes e abriram horizontes para que hoje possamos viver com mais dignidade.
Este tem sido um ano profundo em termos de reflexões existenciais. Saio de um processo de saúde em que estive muito fraca e precisei me fortalecer dentro da realidade que tinha naquele momento. Mais uma vez foi necessário separar o joio do trigo e reafirmar que o tempo e a presença são grandes virtudes — verdadeiras riquezas que também fazem parte de qualquer processo de cura.
Hoje faço uma reflexão sobre este dia. Para mim, ele marca o início de um novo ciclo. É também um dos dias em que celebro a minha própria existência.
Sempre penso no significado de ter nascido em um tempo marcado pelo 8 de março, o Dia Internacional da Mulher — um dia que nasceu como memória de luta, de reivindicação de direitos e de dignidade. De alguma forma, sinto que essa simbologia atravessa a minha trajetória. Mas não apenas pelo 8 de março. O babado é mais profundo.
Na minha própria história, já nasci em um contexto de revolução, resistência e transformação. E, de certo modo, todos os tempos são revolucionários quando pensamos na caminhada das mulheres, sobretudo das mulheres negras. Especialmente quando pensamos no que significa existir como mulher no mundo.
8 de março: início de um novo ciclo
Por isso, este novo ciclo chega como um movimento de fortalecimento que não vem apenas do corpo, mas também da consciência. O que quero dizer com este texto é simples e verdadeiro: não é fácil para nós, mulheres. Existem muitos atravessamentos. Alguns são explícitos, outros muito sutis. Entre eles, existe algo que muitas vezes não se nomeia com facilidade: o reconhecimento que muitas vezes só chega depois da morte. Nesse momento todos encontram disponibilidade para honrar e admirar. Durante a trajetória, são poucos. Poucas.
Por isso deixo também um pedido simples: honrem as pessoas em vida. Fortaleçam agora. E parem de projetar a imagem de mulheres que precisam fazer tudo sozinhas para depois serem glorificadas.
Por isso também deixo aqui minha gratidão à minha família e às minhas amigas, que não soltaram a minha mão. Seguimos juntes nessas encruzilhadas. Amo vocês.
Neste novo ciclo, sinto que estou recebendo uma grande oportunidade. E vou honrá-la fazendo com que a minha existência transborde ainda mais daquilo que eu verdadeiramente sou — longe da perfeição, mas perto da disposição de viver o que é verdadeiro. Construir algo que faça sentido dentro de um circuito de bem-viver, de consciência e de beleza, uma beleza que vai muito além do corpo.
Compartilho essa reflexão porque ela não diz respeito apenas ao que está fora de nós. Ela também fala sobre o que está dentro. Sobre como nos nutrimos. Sobre de onde tiramos força quando precisamos levantar a cabeça, repousar, respirar e seguir.
A beleza é um fundamento que transborda.
Que possamos viver com dignidade.
Que possamos ser respeitadas.
Que possamos ser amadas.
Transbordem.
Feliz novo ciclo para mim.
E obrigada a todas as pessoas que apoiam e caminham junto com a minha trajetória.
