Met Gala 2025: Quando o Dandismo Negro Ocupa o Centro da Moda
Uma leitura crítica e sensível sobre o Met Gala 2025, o protagonismo do dandismo negro e a estética como memória, poder e projeção de futuros. Um convite a entrar em 2026 com presença, ancestralidade e consciência estética.
ANCESTRALIDADES
Karoline Stephanie | Redatora
12/29/20253 min read


Entrar em 2026 é escolher com que estética, memória e consciência queremos atravessar o futuro.
E, se a moda é um espelho do mundo que estamos criando, o Met Gala 2025 nos ofereceu um sinal potente: a centralidade da estética negra não é tendência passageira, é fundamento.
O Met Gala, oficialmente conhecido como Costume Institute Benefit, é um evento beneficente anual realizado no Metropolitan Museum of Art, em Nova York. Desde sua criação em 1948 por Eleanor Lambert, tornou-se uma das noites mais importantes da moda, reunindo artistas, designers, pensadores e referências culturais para celebrar a exposição anual do Costume Institute.
Ao longo dos anos, o evento evoluiu de um jantar beneficente para um dos momentos mais esperados e midiáticos da moda internacional — e também um palco onde se revelam os atravessamentos, disputas e mudanças no imaginário global.
A Presença Negra e a Temática de 2025
Historicamente, o Met Gala refletiu as desigualdades estruturais da indústria da moda, com participação limitada de pessoas negras, tanto nas passarelas quanto nos bastidores criativos. Mas nos últimos anos, testemunhamos um importante movimento de abertura. A edição de 2025 marcou um momento simbólico e potente ao propor o tema “Superfine: Tailoring Black Style”, colocando no centro o dandismo negro — uma tradição estética de sofisticação e resistência, que afirma dignidade e identidade mesmo em contextos de opressão.
Essa escolha não apenas celebra a herança negra na moda, mas também nos convida a repensar práticas de apropriação cultural, que frequentemente esvaziam símbolos e estéticas negras. Este ano, o protagonismo negro não foi simbólico — ele ocupou a cena com força, beleza e inteligência estética.
Artistas em Destaque e Seus Looks
Nesta edição, artistas negros e negras brilharam com presenças marcantes, reafirmando sua importância na construção de imaginários e comportamentos. A seguir, alguns dos grandes destaques da noite.

















Estilistas em Destaque
Mais do que corpos vestidos, é preciso olhar para quem veste: os criadores, costureiros, estilistas que desenham futuros. E nessa edição tivemos a alegria de celebrar que estilistas brasileiras negras tiveram destaque com identidade estética própria, como o caso do Patrick Fortuna, representando o Ateliê Mão de Mãe com estética afrodiaspórica brasileira.
Ou seja, é um marco histórico sim, especialmente no sentido de representatividade e protagonismo negro brasileiro
Patrick Fortuna - Ateliê Mão de Mãe
Representou o Brasil no Met Gala. Com suas criações bordadas à mão, inspiradas nas Ìyàmi (ancestrais femininas iorubás), levou a estética preta brasileira para o cenário internacional com força, poesia e reparação.


Jubba Sam - Dod Alfaiataria
Desafiou as normas com cortes para corpos diversos. Sua moda é a liberdade vestida.
Reafirmou o lugar da criatividade negra no topo da moda de luxo, com texturas vibrantes e uma leitura ousada da elegância contemporânea.
Maximilian Davis - Ferragamo




Conclusão: Estética, Memória e Futuro
O Met Gala 2025 não foi apenas uma noite de looks memoráveis, foi uma reafirmação do poder da estética negra como central na criação de tendências, comportamentos e futuro.
Dandismo negro, afrofuturismo, ancestralidade e contemporaneidade caminharam juntos nos degraus do museu. A presença de corpos negros protagonistas, estilistas pretos à frente das grandes marcas, e narrativas afrodiaspóricas conduzindo o espetáculo estético global revelam o que sempre soubemos: sem as culturas negras, não há moda. Sem memória, não há futuro.
E o futuro, como dizemos por aqui, já começou. Entrar em 2026 é assumir esse entendimento com coragem. É escolher estética com consciência, beleza com raiz e memória.
