Moda não é futilidade. É linguagem, é território, é futuro.
Moda não é só sobre tendência, é sobre território, e escolhas que comunicam quem somos e o futuro que queremos. Nesta reflexão, compartilho um olhar crítico sobre o papel da estética como linguagem política. “Entre tranças, tecidos e memórias, a moda se revela como ato de sobrevivência e criação de futuros. Não é vaidade, é linguagem ancestral.
ANCESTRALIDADES
Amanda Coelho
6/2/20252 min read


O que é moda? O que é “estar na moda”? Essas perguntas nos atravessam, especialmente quando entendemos que, para muitas de nós, moda nunca foi sobre estar somente nas passarelas mas sobre histórias sobrevivência. Sobre comunicação entre mundos.


.Ao longo da história, a estética foi uma das linguagens mais poderosas de povos originários e africanos. Usávamos (e ainda usamos) os cabelos, as roupas, os adornos como forma de expressão, pertencimento e cosmovisão . Mas o colonialismo entendeu essa força e tratou logo de deslegitimá-la. Interromperam os nossos símbolos, impuseram outras estéticas, apagaram as nossas histórias e, até hoje, tentam nos excluir dos espaços de moda como sujeitos criadores.
Mas seguimos criando.
A moda que eu pratico, como trançadeira, artista, pesquisadora e mercadora, é um campo de disputa simbólica e material. É um espaço de reinvenção de mundos. Critico profundamente o sistema de moda como ele está posto baseado na exploração, na cópia, no esvaziamento cultural. Mas acredito na moda como tecnologia ancestral e projeto de futuro.
Afinal, cada vez que uma mãe preta, uma trançadeira ou uma costureira cria uma peça, ela também afirma o seu direito de existir. Ela produz conhecimento, beleza, valor. Ela constrói economia. E isso é política.


Moda não é só tendência, é território. É onde investimos, onde consumimos, onde colocamos nossa energia e nosso afeto. Por isso, pensar moda é também pensar quem estamos fortalecendo quando escolhemos o que vestir. É entender que consumir é investir, e que investir é também um ato político.
Somos responsáveis por ampliar as narrativas. Por resgatar os legados. Por afirmar nossa existência de maneira potente, coletiva e estratégica. A moda, quando enraizada em nossas histórias e ancestralidades, tem o poder de curar, transformar e reestruturar realidades. Ela comunica o que as palavras muitas vezes não conseguem. E por isso, merece ser respeitada como linguagem cultural, como ferramenta de memória e como ponte para futuros mais justos.
A moda que me interessa é essa: que honra nossas raízes e expande nossos horizontes.







