Ojude Oba: Estética, Realeza e Resistência no Festival que Celebra a Cultura Ijebu

Um desfile de identidade, elegância e orgulho cultural! Inhaiiii Beaurys! Vocês acompanharam esse movimento que é celebrado todos os anos na cidade de Ijebu-Ode, no sudoeste da Nigéria? O Ojude Oba é um dos festivais culturais mais emblemáticos do país. Com raízes que remontam a mais de 100 anos, o evento é um grande encontro fomentado pelos povos Ijebu, que prestam homenagem ao seu rei tradicional: o Awujale de Ijebuland.

ANCESTRALIDADES

Amanda Coelho

6/17/20254 min read

Fontes e Crédito Imagens no link final

Como tudo começou: Da fé islâmica à união de religiões e culturas

O Ojude Oba tem suas raízes no século XIX, por volta de 1879, durante o reinado de Awujale Afidipote. Nasceu como um gesto de gratidão dos primeiros muçulmanos convertidos, que receberam liberdade religiosa para praticar sua fé. Após o Eid-el-Adha (conhecido como Ileya em yorùbá), os muçulmanos locais passaram a prestar homenagem ao rei. Com o tempo, a tradição se expandiu para além das fronteiras religiosas. Hoje, cristãos, seguidores de religiões tradicionais africanas e pessoas de diversas espiritualidades também participam do festival.

Uma experiência visual com a moda em sua potência cerimonial

Na minha visão, se existe desfile de moda no contemporâneo, cerimônias como o Ojude Oba são a base de tudo. São mais de 100 anos de fomento. Faço questão de repetir: é muita entrega, fundamento, é muita história viva sendo contada com tecido, cor, textura e comportamentos.

Tecidos e Joias: Comunicação Visual de Status e História

A moda no Ojude Oba é uma linguagem de poder, memória e espiritualidade. Cada escolha de tecido, acessório ou cor carrega significados profundos.

Principais tecidos:
- Aso-Oke: Tecido tradicional de tear yorubá, símbolo de status, respeito e ancestralidade.
- Adire: Tingimento tradicional com padrões das regiões yorubás, incluindo o povo Ijebu.
- Brocados e Rendas Coloridas: Usados especialmente pelas mulheres para criar vestidos volumosos e impactantes.
- Gele: Os turbantes majestosos, que são puro close! Mais do que acessório, representam espiritualidade, proteção e afirmação cultural.

As joias,são incríveis , muitas vezes feitas de ouro maciço ou miçangas tradicionais, reforçam tanto o poder aquisitivo quanto a conexão com os ancestrais. É comum que colares, pulseiras, brincos e anéis usados no Ojude Oba sejam heranças de família, transmitidas de geração em geração. Cada peça tem uma história. Cada detalhe é carregado de memória.

Regberegbes e Cavalarias: Desfiles de pertencimento e poder

Os regberegbes são grupos sociais organizados por faixa etária e vínculos familiares. Eles planejam, meses antes, seus trajes, estética e até performances para o grande dia. Cada grupo desfila em direção ao rei com coordenação, passos ensaiados, coreografias e looks que impressionam.

As cavalarias, formadas principalmente pelas famílias Balogun, são um espetáculo à parte. Cavaleiros montados em animais com selarias, panos bordados, adereços dourados e exibições de habilidade e elegância. Uma demonstração pública de poder, riqueza e honra.

Religião, poder e comunhão

O Awujale é a figura central, exercendo papel político e espiritual. Seus discursos e bênçãos durante o festival mobilizam milhares, reafirmando a força da liderança tradicional.

O que o Ojude Oba revela para nós, nas diásporas?

O festival é um lembrete poderoso de que os tecidos são arquivos de memória, o corpo é território político, e a estética é uma ferramenta de afirmação de identidades e pertencimento.

Eventos como o Ojude Oba devem ser celebrados e estudados nas diásporas. São sinais de vanguarda estética, diplomacia cultural e narrativa autônoma. Convido vocês a olharem com atenção para a Nigéria e para eventos como este.

Eles apontam os rumos do futuro: repleto de beleza, excelência e legados.