Cultura: o que vibra em nós
Reflexão sensível sobre cultura, corpo, ancestralidade e autoestima. Um texto que percorre memórias, gestos, adornos e a escuta do corpo como território vivo de expressão, identidade e pertencimento.
ANCESTRALIDADES
Amanda Coelho - CEO Orí Afrofuturo
11/25/20254 min read


Me lembro quando era pequena tinha alguns hábitos que fazia muito naturalmente querer colocar tecidos coloridos na cabeça , miçangas ou coisas fizessem barulho . Só hoje já bem mais adulta consegui me apropriar mais do meu corpo território e usar de fato esses elementos e simbologias .
A cultura se manifesta nas pequenas e grandes coisas: na língua que falamos, a forma como se relacionamos, nos temperos que usamos, nas músicas que embalam nossos dias, nas roupas que escolhemos vestir e nas histórias que contamos com o cabelo , com o corpo, com os adornos (consciente ou inconsciente). Cada trançado, cada joia, cada tecido carrega um código ancestral um modo de dizer ao mundo quem somos e de onde viemos.
As tranças, os penteados, as roupas e os adornos são tecnologias de expressão cultural que ultrapassam a estética. São memórias vivas, formas de comunicação, afirmação e resistência. Elas revelam nossa capacidade de criar beleza mesmo diante das adversidades, de traduzir pertencimento, identidade e presentes e futuros com a comunicação .
Cultura é mais do que aquilo que se aprende é o que se vive.
É o conjunto de conhecimentos, crenças, valores, costumes, tradições, artes, leis e hábitos que um povo cria e transforma ao longo do tempo e que nos molda com visão de mundo, nossas escolhas, nossos gestos e até a forma como expressamos o que sentimos. Cultura é o que atravessa o corpo e dá sentido à existência. Bem por aqui penso que mão é possível vivemos sem uma cultura. E não necessariamente aquela que nos é apresentada quando nascemos , e sim aquelo que vibra em nós , o que faz sentido fomentarmos lá no fundo, dentro no caminho do espírito e suas camadas.
Tribo das Margens do Rio Omo “Homens de Kibish” na Etiópia


Flickr: foto_morgana |Guji people, Oromia Region, Ethiopia.
A beleza das Tribos Surma e Mursi, uma cultura em perigo, no sul de Etiópia




Flickr: Ferdinand Reus|Os Wodaabe (ou Bororo) são um subgrupo do povo nômade Fulani (ou Fula) que habita a região do Sahel, na África, em países como Níger, Chade, Nigéria e Camarões. Eles são mundialmente famosos por suas tradições culturais ricas e pelo festival anual Guérewol, um concurso de beleza masculino onde os homens se enfeitam elaboradamente para serem julgados por mulheres.


Flickr: Ibrahim AL Agouri|Young girl Tuareg se refere a um grande grupo étnico berbere, tradicionalmente pastores nômades do deserto do Saara (norte da África), conhecidos como "homens livres" e que falam línguas berberes (Tamasheq), famosos por seu véu azul, controle de caravanas e cultura rica, vivendo hoje em países como Mali, Níger, Argélia, Líbia e Burkina Faso
A beleza, nesse sentido, é também política porque ela reivindica o direito de existir de muitas maneiras possíveis.
Por aqui, meu corpo-território vibra culturas. Algumas se manifestam com mais força em certos momentos, outras aparecem em sutilezas, mas todas habitam em mim. Aprendi a ouvir o corpo, a perceber o que vibra para além do que se explica , mais pelo que se sente . E esse processo é um convite: olhe para si com sensibilidade. Escute o seu corpo, perceba os sinais, entenda o que nele pede fomentos que façam sentido.
Vista-se de você mesma e da sua história, fortaleça o que faz sentido, o que é verdadeiro, o que reverbera com o seu legado. Nem tudo é sobre nós individualmente mas sobre o que conseguimos mover juntos, a partir da nossa autenticidade. E isso também é uma questão de autoestima.






Para vivermos e movimentarmos toda essa cultura, corpo, ancestralidade é preciso que ela esteja viva em nós. A autoestima nasce quando reconhecemos a força das nossas referências e nos expressamos a partir delas, reafirmando o direito de existir com dignidade.
Ela se constrói no instante em que compreendemos que nossos corpos, cabelos, peles, adornos e formas de vestir não precisam se enquadrar em um padrão: são expressões legítimas de mundos inteiros.
Cultivar autoestima é um gesto nobre e espiritual. É cuidar do corpo como território sagrado e permitir que ele conte suas próprias histórias com orgulho, liberdade e amor.
Quando escolhemos nos expressar a partir das nossas raízes, contribuímos para um mundo mais diverso, bonito e cheio de possibilidades. Um mundo onde a cultura não é apenas o que se vê, mas o que vibra, pulsa e transforma.
Quais culturas iremos alimentar, a começar pelas nossas?
Por aqui encerro os portais de beleza por hoje!
25/11 Amanda C
