Oficina de Memória Capilar: cabelo, ancestralidade e construção do imaginário
Relato sobre a Oficina de Memória Capilar, uma formação que investiga o cabelo como memória viva, tecnologia ancestral e construção de pertencimento, unindo escuta, prática e saberes das trançadeiras.
CURSOS E OFICINAS
Amanda Coelho - CEO Orí Afrofuturo
1/31/20262 min read


Na semana passada, no dia 24, dei início a uma experiência muito especial: a Oficina de Memória Capilar, realizada pelo Convite, em parceria com a Casa di Negro, o primeiro espaço cultural dentro da favela Ceasa. Uma formação que nasce do meu percurso, das minhas pesquisas e do compromisso em tratar o cabelo como memória viva, linguagem e tecnologia ancestral.
Sou Diva Green, artista capilar, educadora e pesquisadora de tecnologias ancestrais do cabelo a partir do legado das trançadeiras. Atuo há mais de duas décadas no campo da beleza como prática política, cultural, artística e educativa, desenvolvendo formações, oficinas, produções autorais e experiências que investigam o cabelo como portador de ancestralidade e construção de pertencimento. Essa oficina é atravessada por tudo isso.


A proposta acontece em quatro encontros de duas horas, sendo dois presenciais e dois online. Começamos no sábado, dia 24, seguimos neste sábado, dia 30, e teremos ainda mais dois encontros online nos próximos sábados, dando continuidade ao processo formativo.
Desde o primeiro encontro, estamos trabalhando de forma transversal a construção do imaginário capilar, entendendo imaginário como o conjunto de imagens, memórias, narrativas e referências que moldam a forma como nos vemos, cuidamos e apresentamos nossos cabelos no mundo. Cada aula articula escuta, partilha, reflexão e prática, acessando memórias pessoais e coletivas e reconhecendo o legado das trançadeiras como tecnologia viva de cuidado, resistência e continuidade cultural.
Ao longo da oficina, atravessamos temas como cabelo e ancestralidade, corpo e território, estética como linguagem e o cuidado como prática política. Também dialogamos com os saberes ancestrais do cuidado natural, reconhecendo a natureza como fonte de ensinamentos: plantas, óleos, águas e gestos tradicionais aparecem como memórias vivas que fortalecem a relação com o cabelo, o corpo e o tempo.
Mais do que uma oficina, esse processo é um convite à reconexão com o próprio cabelo, com as histórias que ele carrega e com os saberes ancestrais que seguem pulsando no presente.
Seguimos.




